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MARCELO GUERREIRO DEFENDE APOIOS ESPECÍFICOS PARA OS SISTEMAS AGRO-SILVO-PASTORIS DE SEQUEIRO

23/03/2018

O Presidente da Câmara Municipal de Ourique, Marcelo Guerreiro, defendeu hoje, no encerramento do seminário técnico sobre a seca e os sistemas agro-silvo-pastoris de sequeiro, a necessidade de existirem apoios específicos para este tipo de ecossistemas, de forma impedir o abandono dos campos. Perante uma plateia cheia de criadores e de produtores, com a presença do Secretário-Geral da CAP, dos Presidentes das Câmara Municipais de Castro Verde e de Mértola, do Diretor Distrital da Segurança Social de Beja e dos responsáveis da CIMBAL e da Resialentejo, o autarca defendeu um olhar de proximidade de todos os poderes, num momento em que existem convergências de vontades entre o Poder Local e o poder Central, como o comprovam o projecto de ligação da Água do Alqueva da Barragem do Roxo à Barragem do Monte da Rocha.

Para mais informação, aqui fica a intervenção integral de Marcelo Guerreiro.

 

“Permitam-me que comece por saudar, com admiração e gratidão, os membros da Associação de Criadores de Porco Alentejano, nossos parceiros nesta empreitada de valorização da nossa terra e do melhor que se faz no Baixo Alentejo.

No passado como no presente, sempre estivemos confrontados com problemas, com desafios e com oportunidades.

Somos gente resiliente, habituada a lutar, a adaptar-se e a procurar seguir em frente.

Foi assim no passado, quando não tínhamos o Alqueva nas imediações, e tínhamos outra densidade populacional e outras condições climatéricas.

É assim nos dias de hoje em que afirmamos a fileira do porco alentejano e de outras expressões do potencial produtivo do nosso Mundo Rural, sem nunca esquecermos que existem problemas estruturais por resolver, riscos de conjuntura e novos desafios.

E será sempre assim, quando estamos a falar do homem e da sua interação com o meio ambiente.

Riscos e oportunidades existirão sempre.

A grande questão, a questão central é a de termos a capacidade de gerar condições para melhorar as capacidades produtivas e criadoras atuais e para antecipar a previsível realidade do futuro.

Preparar o futuro é isso.

E será para isso que contamos com a vossa disponibilidade de sempre, com a vontade do Município e com a convergência da vontade do governo.

É esse o sentido dos investimentos anunciados para ampliar o perímetro de utilização da Água do Alqueva, com a ambicionada ligação da Barragem do Roxo à Barragem do Monte da Rocha.

É esse o sentido dos investimentos que temos feito e que vamos continuar a fazer com as Águas do Alentejo.

Mas temos bem a noção de que é preciso ir mais longe, sobretudo no que diz respeito ao montado e às culturas de sequeiro.

Precisamos que a par da aposta no regadio, existam medidas de apoio e fundos direcionados para o sequeiro no horizonte da PAC pós-2020.

Respostas sintonizadas com a dimensão e o perfil das nossas explorações e da nossa realidade como Mundo Rural, fustigado pelas primeiras de muitas ameaças de seca.

O Alentejo e o nosso Baixo Alentejo são maioritariamente de sequeiro e com forte incidência na pecuária extensiva.

Não temos nem a intensidade, nem a geração de riqueza das grandes explorações de regadio.

Precisamos de respostas à medida da nossa realidade, porque a Europa como o país, e até a Região, não são iguais. As nossas explorações de pecuária extensiva e de sequeiro querem estar comprometidas com a melhoria do desempenho ambiental, mas o Regime de Pagamento Base e o apoio às práticas agrícolas benéficas para o clima e ambiente, o greening, devem ser reavaliados, para sustentar a atividade, combater o abandono das terras e viabilizar respostas perante as alterações climáticas.

Se soubermos estar preparados para o presente e para o futuro que podemos antecipar, estaremos melhor preparados para reagir perante os fenómenos e as realidades extremas.

Este é o momento de reafirmar o compromisso do Município de Ourique com a fileira do porco alentejano como pilar da nossa economia local e como contribuinte líquido para a resistência do nosso Mundo Rural.

Este é o momento de agradecer em nome do Município de Ourique o vosso trabalho e disponibilidade para continuar a trabalhar em defesa da nossa terra e de um futuro melhor para o Mundo Rural e para o Interior.

Temos bem presente que este é um processo permanente e exigente, que exige a nossa constante atenção, iniciativa e intransigente defesa das nossas gentes e do nosso território.

Contamos atualmente com um governo que está sintonizado nos discursos e tem estar cada vez mais convergente na ação com as necessidades de valorização do Interior e do Mundo Rural como ativos do desenvolvimento do país.

No entanto, que fique bem claro que esta circunstância, não nos fará baixar a guarda na defesa das soluções que julgamos mais adequadas para quem aqui vive, estuda, trabalha ou nos visita.

Podem, por isso, os Criadores, os Produtores e os Agricultores em geral contar com o nosso compromisso de trabalho e de proximidade para prosseguir o caminho percorrido, agora que se mantêm riscos para a produção, a transformação e a distribuição.

Estamos e estaremos atentos, com a ajuda preciosa do senhor Deputado Pedro do Carmo, um Ouriquense e Baixo Alentejano de gema, que é a nossa voz em Lisboa.

Temos bem presente que não é possível resolver em quatro anos o que se acumulou em décadas. Até sabemos o tempo que demorou a ser construída a Barragem do Alqueva, entre o projeto e o início da construção. 20 anos. E ainda dizem que nós é que somos lentos.

Não temos esse tempo. Em bom rigor, não há tempo a perder, porque os riscos e os desafios das alterações climáticas estão aí.

Os especialistas dizem que, com o aumento da temperatura em cerca de cinco graus e a redução da precipitação em algo como 20%, no contexto das alterações climáticas, será preciso alterar as práticas para proteger o montado e para ele continuar a ser viável na nossa região.

É, por isso, importante que a par dos grandes passos como o da chegada da água do Alqueva a Ourique se continuem a dar passos mais pequenos como as preocupações e sugestões que aqui foram manifestadas.

Este caminho, da valorização do Interior e do Mundo Rural, tem de ser um percurso sem retorno, com iniciativas e investimentos concreto, e com muito futuro.

Sabemos que há uma parte do nosso futuro comum que conta com algumas mudanças nos nossos comportamentos individuais e com um uso eficiente dos recursos naturais, escassos e vitais, como acontece com a água.

Sabemos que o abastecimento da água para o consumo humano é a primeira prioridade, a que se segue a sustentabilidade dos ecossistemas como os Sistemas Agro-Silvo-Pastoris de Sequeiro, das atividades económicas e das oportunidades de lazer.

Sabemos que as opções têm que saber conciliar as necessidades de consumo humano com os pressupostos de desenvolvimento da preservação, valorização e projeção das potencialidades do nosso Mundo Rural.

Caras e Caros Amigos,

Provámos, em pouco mais de 12 anos, que a Fileira do Porco Alentejano tinha futuro e era uma marca de identidade da nossa terra com a força de nos assumirmos como Capital do Porco Alentejano.

Provamos, em cada dia de problemas, desafios e concretizações, que é possível prosseguir com um caminho positivo, que resulta das nossas capacidades, do potencial das nossas terras e da força de quem não se verga perante as adversidades.

Sei que é difícil, mas que é possível.

Continuar a valorizar o nosso Mundo Rural

Continuar a dinamizar a nossa economia local

Continuar a dar futuro a Ourique e aos Ouriquenses.

Ourique- Capital do Porco Alentejano conta convosco.

Obrigado!”.

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