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Revista da Câmara Municipal de Ourique

 Património

PATRIMÓNIO HISTÓRICO E ARQUITECTÓNICO DO CONCELHO DE OURIQUE

  
FREGUESIA DE OURIQUE

Castelo de Ourique

Reedificado no séc. XII/XIV por ordem de D. Dinis, possivelmente sobre um antigo castro romanizado e depois ocupado pelos árabes.
O castelo pertencia à Ordem de São Tiago e os seus vestígios implantam-se numa plataforma no cimo de um monte que domina a vasta planície do Campo de Ourique. Do castelo restam alguns troços com cerca de dois metros de altura, sobre os quais se construiu um Miradouro e jardim com um reservatório de água ao centro.

 

Igreja Matriz de Ourique

Templo de arquitectura maneirista, barroca e rococó, foi reconstruída no séc. XVIII a mando de D. João V.
Destaque para a elegância da sua fachada principal, com trabalhos de argamassa de feição rococó.
No seu interior o Barroco afirma-se já plenamente pujante nas grandes estruturas de talha dourada e policromada que extravasam dos retábulos, prolongando-se pelo arco triunfal, cornijas e sanefas. Na frontaria, de remate delicadamente rococó, sobressai a composição assimétrica das armas reais, dialogando com a traça das torres sineiras, tão amplamente utilizada no mesmo período estilístico.

 

Igreja da Misericórdia
(Praça D. Dinis)

Construída no séc. XVI, possui um conjunto de portais de grande depuração classicizante, que denotam a poderosa influência da tratadística italiana. O portal localizado à esquerda apresenta verga recta adintelada assente em pilastras toscanas e é precedido por dois degraus.
O portal da direita evidencia a inscrição "TOS.OS OS O QvVERDES SE DE VIDE AS AGOAS P O HOI CHI MIDO" (“Todos os que houverdes sede vinde às águas”).

 

Torre do Relógio
(Praça D. Dinis)

Construída em meados do séc. XIX, esta torre sineira tem uma planta quadrangular, coberta por cúpula escalonada e bolbosa, rematada por um cata-vento de ferro com a forma de bandeira.
É formada por dois pisos separados por cornija de argamassa e enquadrados por pilastras. O piso superior é rasgado por olhal em arco de volta perfeita. No alçado principal, rasga-se a porta de acesso. No piso superior, de frente para a Praça, destaca-se o mostrador quadrangular do relógio, de cantaria, com numeração árabe e ponteiros de metal.

 

Castro de Cola
(A 12 kms a Sul de Ourique, 6 kms. a S. da Aldeia de Palheiros)

Integra-se no parque arqueológico do Castro da Cola constituído por vários monumentos megalíticos, povoados calcolíticos e necrópoles das Idades do Bronze e do Ferro.
Ocupa a crista de um monte, junto da Ribeira do Marchicão e do Rio Mira, e está próximo da Igreja de Nossa Senhora da Cola.
O circuito arqueológico desenvolve-se numa área de cerca de 15 Kms., integrando 23 estações arqueológicas, do Neolítico à Idade Média, do qual se destacam o povoado calcolítico do Cortadouro, os monumentos megalíticos Fernão Vaz I e II e o Tholos da Nora Velha, as necrópoles do Porto de Lages, da Idade do Bronze, e do Pego da Sobreira e de Fernão Vaz, da Idade do Ferro.

 

Igreja de Nossa Senhora da Cola

Construída em inícios do séc. XVII, no séc. XVIII viu ser construído o retábulo do altar-mor e no séc. XIX foi ampliada com acrescento do nártex, torres sineiras e retábulos laterais. Singulariza-se pela sua escala e monumentalidade, dentro da tipologia habitual nos santuários de peregrinação do Alentejo. Apresenta uma planta longitudinal, enquadrada por duas torres sineiras, nave e capela-mor mais estreita, a que se adossa à esquerda a sacristia, uma dependência de acesso ao púlpito. No interior, arco triunfal de volta perfeita, com acesso por degrau, revestido por painéis de talha dourada e policromada, encimado pelas armas reais. A Capela-mor é coberta por abóbada de berço que arranca de cornija, sendo o retábulo-mor de talha dourada e policromada com tribuna e trono; o conjunto é enquadrado por duas colunas de cada lado, com dois painéis representando a "Anunciação " e a " Adoração dos Pastores ".
Este santuário foi desde muito cedo um dos lugares de peregrinação mais importantes do Baixo Alentejo. No início do séc. XVIII, temos a informação de que a sua Romaria era já a mais importante, sendo organizada pelos grandes proprietários da região.
Romaria anual a 8 de Setembro.

 

FREGUESIA DE GARVÃO

Igreja Matriz de Garvão
(Garvão - Largo da Igreja)

Construída no séc. XVI, de arquitectura manuelina, tem uma planta longitudinal, característica dos pequenos templos edificados no Baixo Alentejo durante o reinado de D. Manuel I.
Destaca-se a qualidade plástica do seu portal principal e as abóbadas de cruzaria de ogivas com chaves e mísulas de cantaria, de requintado lavor, numa das quais se insere, em sítio bem visível, a cruz da Ordem de Santiago.

 

Cerro do Castelo / Forte de Garvão

O Cerro do Castelo de Garvão teve ocupação humana pelo menos desde o Bronze final, tendo aí sido encontrados muitos vestígios de romanização e ocupação continuada durante o período árabe. A vila medieval desenvolveu-se nas suas encostas Sul e Este.
Na vertente do lado nascente, foi encontrado um importante depósito secundário de oferendas e ex-votos, constituído na 2ª metade do séc. III a.C., certamente incluído numa estrutura de carácter religioso mais complexa.
A existência de inúmeras placas oculadas em ouro e prata apontam para o culto de uma divindade com poderes profilácticos nas doenças de olhos; as peças utilitárias podem ter contido oferendas alimentares, as taças podem ter sido usadas para libações ou como queimadores ou lucernas.
Este depósito votivo foi constituído numa fossa artificial talhada na rocha e foi intencionalmente coberto por grande número de peças fragmentadas misturadas com grandes blocos de quartzo e terra. Na base assentava uma caixa com um crânio humano com indícios de trepanação, rodeado por ossos de animais e fragmentos de cerâmica pisados. Sobre ela assentavam grandes vasos cerâmicos, cheios de outros recipientes menores alguns contendo pequenos objectos em cerâmica, ouro, prata, vidro, coralina e bronze; os espaços entre eles era ocupado por outros recipientes menores.

 

FREGUESIA DE PANÓIAS

Igreja Matriz
(Largo do Terreiro)

Construída no séc. XVI, foi ampliada no séc. XVIII.
De arquitectura religiosa quinhentista, este edifício barroco, possui nave única com cobertura interior de laje angular e arcos diafragma ogivais. Fachada com imponente torre sineira barroca de forte valor cenográfico.

 

Igreja de São Romão
(Adro da Igreja, São Romão)

Igreja de peregrinação, construída provavelmente no séc. XVIII.
Nos inícios do séc. XIV, D. Vataça Lescaris, princesa de origem bizantina é donatária do termo de Panóias e oferece as relíquias osteológicas que existem na ermida.
Templo barroco, possui uma só nave e capela-mor, totalmente abobadada, com sacristia adossada e o seu alçado principal corresponde a uma variante habitual nos santuários de peregrinação do Baixo Alentejo que ascende aos finais da Idade Média.
A capela-mor é integralmente decorada em talha dourada e policromada de grande qualidade plástica. A sua sumptuosidade contrasta fortemente com o total despojamento do edifício, que constitui uma caixa rectangular, de tradição popular. A presença de armários-relicário integrados no retábulo e a existência de uma pequena cripta com acesso pela mesa de altar são aspectos que individualizam este imóvel.

 

FREGUESIA DE CONCEIÇÃO

Igreja Paroquial de Nossa Senhora da Conceição
(Junto ao antigo Cemitério Público de Conceição)

Construída no séc. XVI, com profundas alterações no séc. XIX, esta igreja apresenta uma planta longitudinal composta por nave e por capela-mor, a que se adossa, do lado esquerdo, a sacristia, dependências de apoio, baptistério e dois pequenos campanários. A cobertura é feita por telhado de duas águas.
Quanto ao interior, possui nave coberta por laje em três planos. À direita de quem entra pia de água benta de cantaria; imediatamente a seguir à entrada lápide sepulcral com uma inscrição muito delida. Do lado do Evangelho porta de acesso ao baptistério, com molduras revestidas de cantaria granítica e pia baptismal de cantaria. O arco triunfal é de volta perfeita sobre pilastra. A capela-mor tem cobertura idêntica à da nave.

 

FREGUESIA DE SANTANA DA SERRA

Igreja Paroquial de Santana da Serra
(Rua da Igreja)

Este edifício religioso foi construído em 1515, segundo as Visitações da Ordem de Santiago, primeiramente como ermida, tendo sido reformado no séc. XVIII. No séc. XIX viu ser construída a torre sineira do coro-alto.
Em termos arquitectónicos, enquadra-se na vertente popular barroca e, quanto à planta, esta é longitudinal de nave e capela-mor rectangular, filiando-se nos modelos tradicionais da arquitectura regional, desenvolvendo uma tipologia muito simplificada dos modelos do Barroco meridional.
Apresenta como características particulares a pia de água benta manuelina, reaproveitada da primitiva igreja matriz, bem como o retábulo-mor evidenciando uma interpretação popular da tradição de finais do séc. XVIII e o altar-mor de talha dourada e policromada.

 

FREGUESIA DE SANTA LUZIA

Igreja Paroquial de Santa Luzia
(Travessa da Igreja)

Construída no séc. XVII e remodelada parcialmente em finais do séc. XIX, de estilo barroco, integrando-se na tipologia do Estilo Chão. Possui ainda resquícios maneiristas na torre sineira.
O alçado principal é encimado por janelão e possui pedra de armas com o brasão caiado da Ordem de Santiago da Espada. A Torre sineira é encimada pelo mostrador do relógio, com pináculos piramidais assentes em plintos nos ângulos e coroada por cata-vento.
No interior, a nave é coberta por abóbada de berço, enquanto que o coro-alto é em cantaria assente em arco de asa de cesto, resguardado por balaustrada.
Quanto à capela-mor, é coberta por abóbada de berço com altar e retábulo de alvenaria com nicho central que enquadra pintura a óleo sobre tela figurando São Miguel e as Almas do Purgatório, ladeado por dois registos de azulejos policromos, possuindo também um sacrário de talha dourada e policromada.
Note-se, na sacristia da igreja, a imagem da padroeira, de inícios do séc. XVI, atribuída à oficina de João de Ruão.

 INQUÉRITO

Concorda com a reestruturação das freguesias?
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